domingo, 13 de novembro de 2011
Voltando às veredas das letras
Já há algum tempo eu não escrevo nada por aqui. Parei não porque quis mas porque fui forçado face a alguns problemas que tive e que me tiraram completamente o ânimo para tudo, inclusive para escrever. É bem verdade que eu não estou por aqui todos os dias. Não escrevo por escrever, mas quando tenho mesmo algo para compartilhar. O preço a ser pago por quem procura fazer algo sempre com essência é que não vai conseguir nunca enganar e ocultar o que de fato sente no momento. Eu sou assim. A sinceridade é meu defeito e muitas vezes sou rotulado como polêmico por não ter medo de mostrar quem de fato sou mesmo sob o risco de errar.
Eu tinha resolvido que, quando voltasse a escrever, o tema seria o problema pelo qual passei. Por isso decidi que só voltaria quando estivesse bem novamente, e com a mente livre para pensar. Mas que nada. Nem estou totalmente recuperado e de mente livre e nem pretendo abordar a questão em si porque muito me incomoda e desestabiliza. Esse ano conseguiram me destruir. Fazer-me sentir algo tão ruim que somente tinha sentido antes no episódio de minha separação. Mas.... o assunto em si vai ter que ficar para um futuro não tão próximo, para quando eu conseguir me desvencilhar definitivamente da armadilha que me armaram.
Mas a notícia boa, ao menos para mim, é que consigo reunir alguma racionalidade que me permite ao menos andar novamente, mesmo estando ainda ferido. Mas a vida segue...tem que seguir.
domingo, 14 de agosto de 2011
PORQUE NÃO VALORIZO TANTO AS DATAS COMEMORATIVAS
No momento em que inicio estas linhas são exatamente 23:45hs do domingo “dia dos pais”. Já é findo este dia e somente agora resolvi escrever alguma coisa referente a esta data comemorativa. Aliás, não só referente a esta data mas a todas as datas comemorativas. Sinto-me à vontade para escrever com liberdade e desprovido de qualquer emoção própria para o dia. Para muitos isso seria uma espécie de signo da insensibilidade, mas fato é que, durante toda a minha vida familiar, não fomos acostumados a valorizar estas datas temáticas tanto quanto a maioria das famílias o fazem. Daria para contar nos dedos os momentos nos quais fizemos uma ceia de natal tipo “mesão pra família”. Claro, sempre rola uma ceia. Comemos as comidas típicas do período (embora comprovadamente comemos muita coisa desaconselhada para o verão de dezembro). Mas não supervalorizamos a data em si.
Mas por que esta resistência em reverenciar o dia comemorado? Eu poderia responder somente que é pelo fato de não ter sido acostumados a isso. Assim como muitos consideram normal comemorar de forma especial estas datas, na casa dos meus pais fomos acostumados a ver estes dias como outro qualquer. Entendemos que, se neste dia devemos expressar um sentimento especial para com quem amamos, porque não fazê-lo o ano todo? Por que não expressar algo especial no dia a dia, de forma não tão festeira, mas sincera e significativa? Ok, eu sei, isso tudo pode parecer para a maioria uma coisa meio que sem sentido ou até bobagem. Alguns ainda diagnosticariam essa forma de ver as coisas como uma espécie de patologia familiar, mas, concorde você, amigo leitor, ou não, existem pessoas que pensam assim. E não é só uma família. Não é a maioria claro, mas existem muitas famílias que vêem as coisas sob este prisma. Pura e simplesmente por questão de hábito cultural familiar.
Posto isto, sem qualquer outra justificativa além do costume, passo a discorrer sobre o que penso acerca destas datas festivas. Apenas alguns breves aspectos.
1 - O primeiro aspecto é a efemeridade do momento, onde, se muitas pessoas realmente expressam o que sentem e pensam de você durante todos os dias do ano, algumas se desmancham em carinhos confraternizadores que todos sabem que durarão apenas um dia. Muitas das vezes estes carinhos de momento estão temperados por entorpecimento de bebidas. Alguns chegam ao ponto de chorar copiosamente ou rir à exaustão e, para justificar a efemeridade, alegam ser um momento de “renovar a paz” ou “aliviar o stress familiar”, ou qualquer outra explicação que o valha mas... de que vale uma expressão de carinho que não tem continuidade? Uma expressão de carinho que vale por uma noite ou, no máximo, por alguns dias após a grande data comemorativa? De que vale a presença física de alguém que não se apresenta integralmente com sua alma? Aqui pego o gancho para o segundo aspecto.
2 – O segundo aspecto é que a supervalorização das datas comemorativas nos leva a uma sobrevalorização da forma em detrimento da essência. Que quero dizer com isso? Quero dizer que supervalorizamos a presença física das pessoas nestas datas como se a presença material delas ali fosse a real expressão da importância que temos para elas. Perigoso isso, porque entendo que esta é a nascente para os rios de decepções e também para a potencialização da dor da ausência daqueles a quem amamos e não estão mais fisicamente conosco. Trocando isso em miúdos; aqueles cuja presença física ainda é possível porque estão vivos, acabamos fazendo tanta questão que estejam de corpo presente que julgamos não gostarem de nós os que por algum motivo não vão porque não gostam de comemorar “datas”. Isso acaba até forçando a estas pessoas a mentirem alegando motivos de impossibilidade quando na verdade não vão porque não gostam de certos tipos de comemorações. Mas, por tudo o que é sagrado; será que isso é motivo para julgar o que uma pessoa sente por outra? Por outro lado, julgamos que as pessoas que gostam de ambientes festivos e que, por isso, sempre estão presentes, realmente gostam muito de nós. Será? Quanta decepção já não tivemos com pessoas que se acercam de nós? Aliás, se tem um tipo de decepção que dói é a decepção com aqueles dos quais não esperamos revés. Momentos e ambientes festivos são o habitat natural de falsos amigos, pois ali eles conseguem se misturar com os verdadeiros amigos. O outro lado da mesma moeda neste aspecto é o que eu chamei linhas acima de “potencialização da dor da ausência daqueles a quem amamos e não estão mais fisicamente conosco”. Aprendemos a valorizar tanto a presença física que focamos nisso a nossa felicidade. É bom estar fisicamente perto de quem amamos, tocar, sentir o toque, carinho, sorriso, a voz, mas definitivamente se uma pessoa não está presente fisicamente não significa que ela não esteja ali vinculada as nossas almas. A maior marca que uma pessoa deixa em uma outra vida é a marca na alma. Esta marca definirá o que alguém significará para nós, por toda a eternidade. É a supervalorização da presença física que faz muitas pessoas, mas muitas mesmo, sentirem-se infelizes em datas comemorativas quando não têm mais um ou outro ente querido presente fisicamente. Para muitos, o natal passou a ser triste... o dia das mães passou a ser triste... o dia dos pais passou a ser triste... o dia das crianças passou a ser triste...etc... Mas a pergunta que faço é... Por quê? E respondo, a meu ver, por causa da supervalorização que algumas famílias desenvolvem acerca da presença física em ambiente festivo. Certamente o que de mais importante eu e você temos de lembranças de nossos queridos que se foram fisicamente não está em ambientes festivos, mas sim nas pequenas lembranças de momentos singulares marcados para sempre em nossas almas.
E ainda tem esse lance de “fazer uma social”. Na boa, só faço uma social quando a empresa estabelece algum “cófi breiki”, reunião, seja festiva ou não, mas que tenha algum significado corporativo. Aí sim acabo indo, mas porque sinto-me na obrigação profissional de ir. Na minha vida pessoal não existe esse lance de “fazer uma social”. Eu vou onde quero e em ambientes onde sentir-me-ei bem. E que os meus amigos e familiares me perdoem e me compreendam porque isso em nada diminui o meu carinho e respeito por cada um deles.
3 – Um último aspecto é o lado comercial destas comemorações. Poucas coisas neste mundo me deixam mais chateado do que o sentimento de estar sendo manipulado. Entendo que nestas datas existe uma manipulação comercial gritante das pessoas na medida em que os preços são majorados justamente por conta da perspectiva temática da data. A única exceção à regra são os aniversários que não podem ser explorados conjuntamente justamente porque cada um tem um dia de aniversário. No mais, todas as datas temáticas sofrem bombardeios comerciais com a majoração de preços de itens específicos que vão de cerca de 40% até 100% de encarecimento entre produtos e serviços. Portanto, presentes, comprar bem antes ou depois destas datas é o mais inteligentemente econômico. Se deixar para se saciar em datas temáticas, vais morder anzol!
domingo, 24 de julho de 2011
QUESTÃO DE TEMPO - A opinião de uma mãe
Esta postagem tem como base a reportagem no seguinte link:
http://musica.uol.com.br/ultnot/2011/07/24/sua-morte-era-apenas-uma-questao-de-tempo-diz-mae-de-amy-winehouse.jhtm
Certa vez eu ouvi da mãe de um rapaz viciado em drogas e envolvido com o crime. "Estando onde está, o meu filho já morreu. A questão é só quando e onde". Não foram exatamente estas as palavras porque tratava-se de uma senhora muito simples até no falar. Mas o sentido do que ela disse era esse mesmo. Na ocasião, ouvir isso causou-me certa perplexidade, mas, digerindo aquelas palavras mais lentamente, procurando aproveitar o entendimento de uma mãe que sofreu cada minuto da dor de um filho que se mostrava resoluto em manter a trajetória equivocada, e que, acabava tendo uma parte de si morrendo em vida com o filho... Pude, então, entender quanto pesava para aquela senhora ter que me dizer aquilo. Ela sabia que ele precisava mudar seu caminho, mas tinha plena consciência de que se simplesmente prosseguisse... era o fim e sua trajetória já indicava um estado de morte.
No tocante à esta jovem, a própria mãe e certamente os amigos e familiares mais chegados e que mais a amavam, desejariam ardentemente em seus corações que fosse pago o preço que fosse necessário para que ela desviasse do rumo que fatalmente a levaria a um fim trágico. Tenho certeza de que os que mais a amavam aceitariam com que o preço pago até fosse o fim de sua carreira artística, se preciso fosse, para que ela voltasse a viver como um ser humano e não mais como um produto midiático rentoso!
Digo isso porque a mídia e os seguidores desta, afirmam principalmente agora "pós morte" que a amavam muito, demais, que foi um talento jogado no lixo..... gente.... na boa, deixa eu fazer o papel de chato como sempre.... Vou colocar em letras garrafais para dar ênfase...TALENTO JOGADO NO LIXO??? Não seria mais humano dizer VIDA JOGADA NO LIXO?
Que se dane o talento. Esta jovem há muito tempo vinha se arrastando como um zumbi à beira de um abismo que a cercava a todo momento. Ela precisava de ajuda... de interdição até. Não sei se a família fez tudo o que pode, acredito que sim e não vou julgar a família neste momento mas, atribuo sim culpa à mídia que assistia tudo aquilo e ainda incentivava predatoriamente o seu "talento". Quanto vale um talento? Será que é o preço de uma vida??
Surpreendo-me imensamente toda vez que ouço alguém dizer...e acreditem, já ouvi isso.... gente dizendo que ela foi um grande exemplo de personalidade!!!!
Eu vou repetir: "Grande exemplo de personalidade", "Uma pessoa de personalidade", etc. Ouvi coisas deste tipo acerca desta jovem, que, na verdade, estava era enclausurada nas cadeias do vício e caminhando a passos largos para a auto-destruição. Infelizmente....é duro dizer isso mas a mãe está certa quando diz que era somente questão de tempo...infelizmente.
Aos fãs que ficam, sugiro que repensem esta questão se realmente viam esta jovem como exemplo de personalidade para alguma coisa. Muito perigoso isso. Falo isso para os que a seguiam cegamente e não aceitavam nenhum tipo de crítica à conduta desta jovem. Até a defendiam abertamente mesmo considerando o estado decrépito em esta jovem vivia.
É preciso lembrar que antes de ser uma perda artística, isso foi uma terrível PERDA HUMANA. Foi uma vida tragada aos 27 anos. Uma vida que, podemos dizer, do jeito que estava, era uma espécie de "morte técnica". Alguém que tateava às escuras e não procurava saída porque sequer acreditava que existia... e assistimos tudo isso apenas valorizando seu......."TALENTO".
Essa vida já foi ceifada. Não volta mais. Mas vale à pena refletir porque mais jovens vão seguir caminhos semelhantes tornando-se vítimas do consumismo midiático que prega uma vida desregrada, que ensina os jovens a chamar de "liberdade", justamente aquilo que os os aprisiona.
http://musica.uol.com.br/ultnot/2011/07/24/sua-morte-era-apenas-uma-questao-de-tempo-diz-mae-de-amy-winehouse.jhtm
Certa vez eu ouvi da mãe de um rapaz viciado em drogas e envolvido com o crime. "Estando onde está, o meu filho já morreu. A questão é só quando e onde". Não foram exatamente estas as palavras porque tratava-se de uma senhora muito simples até no falar. Mas o sentido do que ela disse era esse mesmo. Na ocasião, ouvir isso causou-me certa perplexidade, mas, digerindo aquelas palavras mais lentamente, procurando aproveitar o entendimento de uma mãe que sofreu cada minuto da dor de um filho que se mostrava resoluto em manter a trajetória equivocada, e que, acabava tendo uma parte de si morrendo em vida com o filho... Pude, então, entender quanto pesava para aquela senhora ter que me dizer aquilo. Ela sabia que ele precisava mudar seu caminho, mas tinha plena consciência de que se simplesmente prosseguisse... era o fim e sua trajetória já indicava um estado de morte.
No tocante à esta jovem, a própria mãe e certamente os amigos e familiares mais chegados e que mais a amavam, desejariam ardentemente em seus corações que fosse pago o preço que fosse necessário para que ela desviasse do rumo que fatalmente a levaria a um fim trágico. Tenho certeza de que os que mais a amavam aceitariam com que o preço pago até fosse o fim de sua carreira artística, se preciso fosse, para que ela voltasse a viver como um ser humano e não mais como um produto midiático rentoso!
Digo isso porque a mídia e os seguidores desta, afirmam principalmente agora "pós morte" que a amavam muito, demais, que foi um talento jogado no lixo..... gente.... na boa, deixa eu fazer o papel de chato como sempre.... Vou colocar em letras garrafais para dar ênfase...TALENTO JOGADO NO LIXO??? Não seria mais humano dizer VIDA JOGADA NO LIXO?
Que se dane o talento. Esta jovem há muito tempo vinha se arrastando como um zumbi à beira de um abismo que a cercava a todo momento. Ela precisava de ajuda... de interdição até. Não sei se a família fez tudo o que pode, acredito que sim e não vou julgar a família neste momento mas, atribuo sim culpa à mídia que assistia tudo aquilo e ainda incentivava predatoriamente o seu "talento". Quanto vale um talento? Será que é o preço de uma vida??
Surpreendo-me imensamente toda vez que ouço alguém dizer...e acreditem, já ouvi isso.... gente dizendo que ela foi um grande exemplo de personalidade!!!!
Eu vou repetir: "Grande exemplo de personalidade", "Uma pessoa de personalidade", etc. Ouvi coisas deste tipo acerca desta jovem, que, na verdade, estava era enclausurada nas cadeias do vício e caminhando a passos largos para a auto-destruição. Infelizmente....é duro dizer isso mas a mãe está certa quando diz que era somente questão de tempo...infelizmente.
Aos fãs que ficam, sugiro que repensem esta questão se realmente viam esta jovem como exemplo de personalidade para alguma coisa. Muito perigoso isso. Falo isso para os que a seguiam cegamente e não aceitavam nenhum tipo de crítica à conduta desta jovem. Até a defendiam abertamente mesmo considerando o estado decrépito em esta jovem vivia.
É preciso lembrar que antes de ser uma perda artística, isso foi uma terrível PERDA HUMANA. Foi uma vida tragada aos 27 anos. Uma vida que, podemos dizer, do jeito que estava, era uma espécie de "morte técnica". Alguém que tateava às escuras e não procurava saída porque sequer acreditava que existia... e assistimos tudo isso apenas valorizando seu......."TALENTO".
Essa vida já foi ceifada. Não volta mais. Mas vale à pena refletir porque mais jovens vão seguir caminhos semelhantes tornando-se vítimas do consumismo midiático que prega uma vida desregrada, que ensina os jovens a chamar de "liberdade", justamente aquilo que os os aprisiona.
terça-feira, 19 de julho de 2011
FUTEBOL CIRCO
Claro que quem menos tem culpa são os jovens atletas, detentores da qualidade, mas que são mal trabalhados e acabam com egos inflados e mais preocupados em fazer firulas do que unir forças e atuar em equipe em busca da vitória. Os atletas são apenas peças de um grande tabuleiro de ilusões ao qual convencionamos de chamar de futebol arte, mas que é, na verdade, futebol circo.
Não discuto se o Dunga errou ou não em não levar para a Copa Neymar, Ganso, Adriano, etc. A questão não é essa. A rejeição que o Dunga sofreu não foi por ter perdido uma copa do mundo, mas sim porque contrariou a mídia esportiva por não atender a demanda de firulas e pedaladas enquanto orientava a seus escalados a jogarem para o time e não em busca de holofotes midiáticos. Dunga era o inverso desta mídia que está aí e incentiva o futebol palhaçada, sem objetividade e que joga somente para dar show. Também não discuto a competência do Mano. Acho-o um ótimo técnico. Sério, comprometido com resultado. Vamos ver até onde Mano vai conseguir conciliar a satisfação midiática com a busca efetiva por resultados. Mais dias menos dias Mano vai se ver em frente da grande encruzilhada na qual todo técnico da seleção se vê. Ou atende a demanda midiática transformando seus jogadores em palhaços ou arma uma equipe competitiva. É como vejo.
Lembro-me das pesadas críticas que o Parreira sofreu na copa de 1994 e da cova aberta que aguardava ele, comissão técnica e vários jogadores sob uma lápide já inscrita em letras garrafais "AQUI JAZ A ERA DUNGA". Mas os críticos favoráveis ao futebol circo tiveram que enterrar as próprias críticas na cova e esperar nova oportunidade, pois Parreira provou que estava certo em jogar para o resultado e foi campeão do mundo depois de 24 anos de jejum. Lembro-me também de que se o Felipão não voltasse com o caneco, estaria até hoje marcado pela sombra de não ter levado Romário pra copa. Em comum entre os campeões mundiais Parreira e Felipão, a resoluta decisão de criar equipes competitivas em detrimento do espetáculo. Para eles o futebol é, acima de tudo, resultado. Vindo tão somente depois o espetáculo.
Já corremos o risco de ver isso aqui se transformar em uma grande palhaçada no quesito organização. Estamos transformando nossos atletas em palhaços do futebol circo e aí a palhaçada fica completa.
A POLÊMICA DOS AUTOS DE RESISTÊNCIA
Por conta do caso recente do menino Juan a polícia resolveu colocar em prática o procedimento padrão de preservar o local para a perícia da polícia técnica. Este procedimento não é novo, apenas não era praticado em locais considerados de difícil acesso. A portaria 553 da Chefe de Polícia Civil Martha Rocha prevê exigências antes que as mortes em operações sejam registradas como autos de resistência. Antes desta portaria a versão dos agentes envolvidos na operação prevalecia nos registros.
Pois bem. O quê, exatamente, se pretende com essa nova portaria? Certamente evitar com que policiais criminosos se privilegiem da investidura para ocultar atos criminosos de execução ou conluio com o crime. Ok. Mas, a pergunta é, isso resolve a questão? A necessidade de perícia (que é feita por outro policial) elimina a possibilidade de que execuções outras sejam feitas?
Desde os tempos do esquadrão da morte, mão-branca, etc, sabemos que policiais criminosos agem com conluios empregando técnicas de "limpeza" de área de sinistro e criação de locais inidôneos que às vezes incriminam até a própria vítima. As populares "velinhas" com disparos pós-morte encenados nas mãos do morto com armas frias. Tudo isso é conhecido por qualquer um que se interesse um pouco mais por casos de investigação policial. Logo, meus caros amigos, parece-me que, embora seja uma medida correta, a presença obrigatória da perícia em todos os casos onde houver resistência armada não vai resolver definitivamente o problema do crime corporativo. Estou dizendo isso porque penso que dever-se-ia, também, promover o afastamento e investigação criteriosa e isenta dos policiais supostamente envolvidos em fraudes. É preciso afastar, isolar, retirar as laranjas podres senão todo o sistema permanecerá comprometido. Qualquer coisa menos que isso será, no máximo, um inútil trabalho de enxugar gelo. Acontece que o segmento articulista dos conluios do sistema, adoram enxugar gelo. Enxugar gelo dá a falsa aparência de esforço criando uma falsa imagem de ação por parte do alto comando. Parte da população é enganada com isso e assim o sistema de corrupção interna se perpetua cada vez mais ampliando suas garras e estendendo seus domínios. Isso a ponto de fazer o policial honesto sentir-se abandonado e órfão, correndo, inclusive, o risco ser eliminado por ser um potencial caguete por insistir em ter as "mãos limpas".
Não vamos nos enganar. Não existe esse lance de "único certo". Se todo o contexto age de um determinado modo, aquele que age diferente é um corpo estranho que precisa ser mudado, anulado ou mesmo eliminado. Essa é lei. Lembro-me de um amigo que, concursado formado, deixou a PM, preferindo ficar desempregado mesmo com filho recém-nascido em casa do que correr o risco de morrer mais dia menos dia. O medo desse amigo não era o de morrer em confronto com o inimigo, mas sim de ser executado por outros policiais por ser ele correto e não concordar negando-se a participar do "sistema".
No dia a dia esta questão é tratada como se o sistema de corrupção fosse a exceção na polícia, mas na verdade a exceção é a honestidade, integridade e inteireza de caráter. O sistema está corrompido e ser policial honesto é a exceção. Infelizmente.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
"O SEGREDO DO CASAMENTO"
Esta é uma postagem que copiei de um e-mail que enviei para alguns amigos muito chegados que estão às voltas na busca pelo grande amor da vida deles. Um deles solteirão e o outro divorciado. Cito, também, o link do blog de Kanitz, que é a fonte deste meu comentário. Vale à pena ler, acredite.
____________________________________________
Adorei este artigo de Stephen Kanitz sobre o casamento.
Claro que li bastante coisas sobre casamento depois da minha separação. Mais até do que quando ainda inserido na vida conjugal, talvez por necessidade psicológica de concatenar idéias em busca de reacertar o passo e redefinir o rumo. Mas fato é que ainda não tinha lido nada parecido com a perspectiva abordada por Kanitz. Muito interessante este artigo. Vale à pena ler.
http://www.kanitz.com/veja/segredo.asp
Confesso que este artigo toca em alguns pontos os quais considero corresponder à minha parcela de responsabilidade pelo fim do meu casório. Eu acreditava na idéia romântica da "estabilidade inabalável" que, no meu entender, poderia pautar uma relação tornando-a duradoura. Eu sabia sim que um casamento precisava ser renovado, polido, assim como as alianças com o tempo ficam foscas e necessitam de uma limpeza de sua superfície. O problema parece estar exatamente aí, normalmente se limpa “a superfície”, mas é preciso muito mais que isso. Eu, realmente, não fazia idéia do quão profundo deveria ser este renovar. Kanitz transmite, brilhantemente e impactantemente, a profundidade deste renovar principalmente quando diz: "o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade". E em seguida aifrma: "Eu, na realidade, já estou em meu terceiro casamento - a única diferença é que me casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano, está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes do que eu". Brilhante!
Claro que Kanitz não pretendeu, com este artigo, resolver a questão por completo. Mas certamente ele foca princípios que evitariam ou ao menos minimizariam muitas demandas conjugais que resultam em separação.
sábado, 19 de março de 2011
A SOBERANIA IMPERIALISTA NO BRASIL
O Prefeito Paes, ao saber que as autoridades americanas decidiram não fazer mais discurso público, mostrou surpresa mas disse tentando ser bem humorado, que “ao menos não vai entrar para a história como o prefeito que fechou o amarelinho”. Isso, no mínimo, é uma declaração auto-condenatória não só de uma medida impopular, mas sobretudo incorreta, equivocada. Mas nem vou me estender nisso.
Eu teria muita coisa para escrever aqui, mas seria coisa demais. Vou me deter na notícia do link do “R7 notícias” que fala do epísodio onde um assessor do FBI disse para o dono de uma banca de jornal da 13 de maio (que não abre aos domingos), que ela “tem que abrir domingo para inspeção, senão seria retirada dali”.
Indo direto ao assunto, sem rodeios, vai retirar a banca do cara por que? Sem previsão legal e sem autorização do dono, configura furto!
Querem tirar porque suspeitam que pode haver bomba lá dentro? Eu nem discuto se há ou não risco real ou necessidade de tanto, apesar de isso me parecer uma palhaçada. O que de fato me incomoda é ver autoridades federais norte-americanas interagindo com o povo dizendo o que deve ou não deve abrir, e pior, estabelendo “penas”, como no exemplo dado onde o assessor do FBI disse que se a banca não for aberta para revista no momento da inspeção deles, “será retirada”. Onde estão as autoridades públicas do Brasil, do estado? O FBI manda muito, mas é em solo estadunidense. No Brasil mandam as autoridades brasileiras e fim de papo. Que palhaçada é essa? Me corrijam os advogados de plantão, isso me parece caso de violação da soberania nacional. Se uma simples banca de jornal não significa nada para o FBI, e o dono dela menos ainda; para o Brasil significa que um cidadão que paga impostos e taxas para ter direito a viver e sustentar o seu negócio dentro da legalidade está sob ameaça de ter o seu bem furtado por pretensas autoridades que aqui não deviam mandar nada! Os incomodados que se mudem ou que se planejem adequadamente junto ao Governo brasileiro. Eles poderiam, por exemplo, comprar a banca de jornal do cara por 500.000 dólares, já que “olhar ela por dentro é tão importante”. Tenho certeza de que o dono venderia. Comprar as barraquinhas de cachorro quente pela bagatela de 200.000 dólares cada uma para garantir que elas não estivessem ali, etc... Agora, vir na marra e dizer o que abre e não abre e as autoridades brasileiras permitirem com que o solo brasileiro e nossas leis se submetam aos norte-americanos???? Isso é um absurdo total! Inaceitável, intragável!
Se as autoridades brasileiras pretendem sustentar este absurdo, que hasteem a bandeira norte-americana e rasguem a bandeira brasileira, para, pelo menos, mostrarem a verdadeira face do que está acontecendo neste final de semana no Brasil.
E que mal lhes pergunte. Se alguém souber responder, por favor, responda... QUE BOSTA VEM FAZER O OBAMA NO BRASIL? Acaso ele veio liberar alguma grana para investir na Amazônia ou no combate à fome ou mesmo ao crime? Ou veio pegar carona na excelente imagem do Brasil no cenário internacional e na solidez de uma economia que demonstrou força em meio à última crise? Não vejo outra razão para a visita dele a não ser a busca por um palanque político com visibilidade mundial.
E depois uma meia dúzia aí se sente ofendida quando os argentinos nos chamam de “macaquitos”.
Tenho que trabalhar amanhã. Só falta eu ser impedido de chegar ao meu trabalho e o meu carro ser violado por estrangeiros invasores! Eu vou arrumar problema porque se o FBI ou qualquer outra "milícia gringa" parar meu carro para revistar eu vou me negar e exigir ser revistado por autoridade brasileira!
Eu não sei qual o slogan adotado pelo governo Dilma, mas para parar de falar nesse assunto que me dá nojo, vou plagiar o slogan do governo Lula: “BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS”!!! E é mesmo porque nossas autoridades nos roubam em pesados impostos, nos cerceiam em nossa liberdade, nos impedem de trabalhar e ainda vendem nossa soberania em troca de dividendos políticos. Esse é um país de tolos porque nós somos os tolos que aceitamos tudo isso calados!
Sem mais.
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